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Mostrando postagens de agosto, 2026

UM PEDAÇO DA MINHA AMIZADE

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       Eu tinha apenas seis anos, aquela idade mágica onde o mundo parece caber inteiro na palma da nossa mão e a amizade é o sentimento mais sagrado que existe. Minha mãe havia preparado uma festa de aniversário simples, mas cheia de cor. Lembro-me do cheiro do bolo, das velinhas acesas refletindo nos meus olhos cheios de expectativa e do calor das palmas. Mas o momento mais bonito daquela tarde ainda estava por vir.    Quando a faca tocou o bolo, minha mãe sorriu e fez aquela pergunta clássica, que faz o coração de qualquer criança disparar de orgulho: "De quem vai ser o primeiro pedaço?"     Uma sala cheia de olhinhos brilhantes me encarava, esperando. Eu não precisei pensar por um único segundo. Meu peito se encheu de uma certeza bonita e absoluta. Peguei aquele pratinho e, com as mãos trêmulas de emoção, caminhei em direção ao meu melhor amigo. Aquele que eu gostava mais do que tudo, o parceiro de todas as brincadeiras. Entregar o primeiro pe...

SAMBA NA BARRA

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        Saí cedo de casa: eu, ela e a filha dela—um pedaço de vida que eu sentia como meu. Passamos um fim de semana numa casa alugada na praia de Vila Velha, um pretexto feliz para abraçar velhos amigos que moram lá e que, volta e meia, corriam ao Rio só para nos ver. Com eles, a vida acontecia sem pressa. Passávamos as tardes bebendo nos quiosques da praia e beliscando peixes fritos na hora; o riso era farto, a cumplicidade era leve e todos os dias ficavam exatamente do jeito que a gente queria.    Pelos olhos deles, conhecemos pessoas interessantes e lugares maravilhosos. Entre eles, a Barra do Jucu, onde Martinho escreveu Madalena do Jucu. Este congo, que ele transformou em samba, virou um pedaço daquela viagem que carrego comigo, na minha playlist, num pen drive preso às chaves do carro, como quem guarda um amuleto contra o esquecimento.    Hoje, os anos passaram. Estou sem Ela ao meu lado, e aquela criança agora já é uma bela mulher, se...

PRÓXIMA ESTAÇÃO: BOM JARDIM.

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      O trem corria sobre os trilhos, mas, na verdade, fugia de uma casa onde o silêncio era a única resposta para a existência daquele menino. Ele era uma criança faminta. Não de pão, mas de um toque na cabeça, de um "eu te amo" que nunca veio dos lábios da própria mãe. Para ela, o filho era apenas um estorvo, um pacote de "peraltices" que precisava ser despachado assim que as férias escolares chegavam.    A salvação dele vinha em forma de fumaça e trilhos, na viagem longa do Rio até Bom Jardim. Ali, na plataforma da estação, o mundo ganhava cor por algumas semanas. Os avós o esperavam. Só deles conheceu o calor de uma mão nos cabelos. Só deles ouviu palavras que curavam o peito. O menino se tornava uma estátua de obediência e mudez; jamais contestava, jamais interpretava mal uma vírgula do que os mais velhos lhe diziam. O medo o moldava. Ele tinha um pavor quase físico de perder aquele amor, de ficar órfão daquele colo por um minuto que fosse.    Mas...

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