UM DIA, UM VAI CHORAR A AUSÊNCIA DO OUTRO
O tempo tem um jeito manso e quase invisível de caminhar. Com o passar dos dias, a convivência longa pode fazer com que a gente deixe de notar aquilo que, lá no início, parecia tão especial. Os pequenos detalhes — aqueles que acendiam o brilho nos olhos — acabam escondidos sob a névoa da rotina e abafados pelos hábitos repetitivos do dia a dia. Aos poucos, sem que percebamos, os incômodos cotidianos começam a ocupar mais espaço na casa e na mente, enquanto a beleza pura e o valor imensurável da presença de quem está ao nosso lado passam quase despercebidos. Mas a verdade guardada no peito é que amar também é uma escolha diária; é escolher olhar de verdade, com toda a atenção do mundo, para os gestos mais simples. É notar o valor de um abraço que demora alguns segundos a mais para soltar, de um café quente dividido à mesa ou de uma sutil demonstração de carinho que chega feito brisa em meio a um dia cansativo. Afinal de contas, a vid...