ELES, O TEMPO E EU
H á uma sabedoria silenciosa naqueles que compreendem que educar não é cercar, mas alicerçar. "Não dei tudo o que meus filhos queriam, mas do que precisavam nunca lhes deixei faltar", reflete o pai, com a calma de quem atravessou o deserto sem soltar a mão de quem amava. A jornada foi intensa: foram sete colégios, mudando conforme as razões dos filhos ou as diretrizes dos mestres. Houve o clube, o futebol sagrado dos finais de semana, as praias distantes e o cinema — o cenário clássico de uma infância presente e zelosa. Mas a vida, em sua complexidade, permitiu que eles pulassem o muro. Fugiram do estudo das letras para aprender as das mentiras e dos vícios. Nesse momento, muitos se perdem na culpa ou na raiva, mas essa família escolheu um caminho diferente. Não houve a briga que rompe, não houve o silêncio que castiga, e jamais houve a tentativa vã de culpar a sorte ou a Deus. A pergunta que restava era: que remédio resta quando o abismo ...