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Mostrando postagens de junho, 2026

LÉO 09/10

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        Léo mal tinha começado a se habituar ao ritmo frenético do teclado quando a porta da diretoria se abriu com um impacto suave. Era Mirella, a filha de Beatriz, que trazia consigo uma energia solar que parecia deslocada naquele escritório cinza. Ela se inclinou para dar um beijo na mãe, mas seus olhos, treinados para identificar o que havia de melhor no "catálogo" da vida, travaram imediatamente no rapaz loiro concentrado na tela. — Mãe... quem é o autor desse novo "best-seller"? — perguntou Mirella, sem nenhum pudor, apontando discretamente para Léo.    Beatriz, sentindo o território ser invadido, tentou uma manobra defensiva rápida: — É apenas o novo digitador, querida. Ele tem muito trabalho acumulado e precisa de silêncio absoluto. Aliás, você não tinha uma aula de pilates agora?     Mas Mirella não era do tipo que aceitava uma "revisão" nos seus planos. Ela caminhou até a mesa de Léo, que continuava digitando como se sua vida dependesse...

LÉO 08/10

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            Após meses colecionando nãos e fugindo de bicos que sempre terminavam em confusão, Léo viu uma luz no fim do túnel: um convite para entrevista em uma prestigiada editora de livros. O cargo de digitador parecia o refúgio perfeito; afinal, letras não se apaixonam, e, acima de tudo, não pedem favores "particulares". Na manhã seguinte, o sol do Rio refletia na fachada de vidro do prédio no Centro, quase como um aviso. Léo ajeitou o colarinho, conferiu o nó da gravata e atravessou a porta giratória com a determinação de quem deixa o caos para trás. Aquele prédio espelhado era o seu forte: um labirinto de burocracia onde ele pretendia se tornar invisível. Ele era rápido no declado, atento aos detalhes e, o melhor de tudo: em uma sala de digitação, estaria isolado e em silêncio — longe de pias entupidas, berços para montar ou esposas solitárias. Pelo menos, era o que ele achava. Ao chegar na recepção, veio o primeiro sinal de perigo. A rec...

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