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Mostrando postagens de abril, 2026

LÉO 03/10

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      Léo é assim: viu um piano com um cara na rua, já oferece o lombo.      A última? Uma prima distante, em prantos: o padrinho deu cano.      Léo, coração de ouro e juízo de lata, vestiu o terno. Foi.      Pisa na igreja: o caos. Tule voando, daminhas em transe.      Uma cerimonialista à beira do enfarte avista o monumento de terno bem cortado.  Não pergunta, não hesita: grampeia o rapaz pelo braço. — Graças a Deus! — berra ela, rebocando o infeliz. — Estão todos te esperando lá na frente! — Mas eu sou só o padri... — Cala a boca e sorria! Você é o homem mais bonito que já pisou por aqui. Não estrague o esquema!      E empurra o sujeito altar adentro, cara a cara com o padre.      Aí vem o pulo do gato: a noiva. Um antigo caso, uma daquelas noites de cama, janela e quintais alheios.  Ela entra, vê o Léo e paralisa. Não é coincidência; é Deus.      A moça i...

LÉO 02/10

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      As consequências de tanta gentileza transformaram a vida do Leonardo — ou Léo, para os íntimos (e bota íntimos nisso) — num verdadeiro festival de erros. Se o fato de ser o alvo preferencial das mulheres não rendesse situações trágicas, seriam, no mínimo, hilárias.      O primeiro desafio era sempre a rota de fuga. Com o tempo, Léo tornou-se um mestre na arte da evasão. Já sabia de cor quais janelas de sobrados tinham o telhado mais próximo, tudo para evitar o encontro indesejado com maridos que chegavam cedo ou, pior, com mães que vigiavam a honra das filhas de dia enquanto, à noite, tentavam elas mesmas seduzi-lo.      Certa manhã, acordou em uma cama luxuosa e, ao tentar sair à francesa, percebeu o golpe: a moça havia escondido todas as suas roupas. Mas a brincadeira não surtiu o efeito desejado. Ao ouvir o barulho da chave na porta, Léo não pensou duas vezes: atirou-se pela janela vestindo apenas um roupão de seda rosa, com direito ...

LÉO 01/10

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        O Léo tinha aquele tipo de magnetismo que ele próprio não entendia. Sujeito alto, com um sorriso que parecia pedir desculpas por ser tão bonito, carregava uma bondade genuína que desarmava qualquer defesa. O problema era que essa sua "disponibilidade" de espírito era quase sempre lida como convite. As mulheres do bairro — das mais discretas às mais audaciosas — travavam uma verdadeira competição para cercá-lo.      Para ele, um simples "bom dia" era sinal de educação; para elas, era sinal verde. Por isso, vivia em alerta constante, tentando driblar as armadilhas que brotavam no caminho. Certa vez, no elevador do prédio, uma vizinha impecável simulou um desmaio e desabou em seus braços. Léo a carregou até o apartamento e lá, num milagre de Deus, ela despertou já desabotoando a camisa dele. Em outra ocasião, foi a filha do dono da padaria que pediu ajuda com um vazamento; ao se abaixar sob a pia, ele notou que o figurino dela não incluía sutiã e ...

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