O OFÍCIO DE EMOCIONAR:

 



     Quando alguém se debulha em lágrimas ao ouvir uma canção, o compositor, em algum lugar do tempo, chora em uníssono. Há uma corda invisível e sagrada que amarra a ponta da caneta ao abismo do peito de quem a ouve. É essa mesma linhagem de afeto que transborda na colação de grau de um novo doutor: no instante em que o diploma toca as mãos trêmulas do aluno, atrás dele não pulsa apenas o coração da mãe — ali estão mestres que, no silêncio da alma, enxugam o pranto que insiste em inundar o olhar.
     Assim vive o escritor. Seu sustento não vem apenas do papel, mas do ofício de esculpir o intangível, moldando palavras que servem de abrigo para quem o prestigia com o olhar. É um ato de entrega absoluta: o autor se despe de suas próprias defesas para que o leitor, em meio à sua própria emoção, encontre um manto para se cobrir.
     E quando a frase, como uma flecha certeira, toca o ponto mais profundo da memória, o leitor — do mais humilde ao mais austero — vê-se rendido por uma lágrima furtiva, uma traição bendita dos olhos. O que ele mal desconfia é que, do outro lado da página, quem escreve já se afogou naquele mesmo sentimento. Porque a verdadeira escrita nunca foi um gesto solitário; é um encontro de almas no altar da vida, onde a dor ou o riso de um é, para o outro, o batismo final

Comentários

  1. Gente, para tudo! Que texto mais lindo, namoral. Fui lendo e parecia que a tal corda invisível tava amarrada direto no meu coração. Emocionou real, achei de uma sensibilidade absurda. Só não dou nota dez porque agora tô aqui chorando no meio do transito, com o rímel todo borrado, parecendo um guaxinim.
    Você é gigante escrevendo, amigo!
    Me dá um abraço e me paga uma caixa de lenço de papel, vai!

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  2. Nossa amigo....
    Esse texto atravessou meu telefone e entrou dentro da minha alma e me fez chorar como criança.
    Queria muito te dar um abraço e te agradecer por cada palavra escrita com a alma de menino

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