LÉO 07/10
Léo atravessou a ponto de Niterói para o Rio com a alma lavada e o coração em paz. Mas, como diz o ditado, a alegria de pobre dura pouco, e a do Léo dura apenas o tempo de um sinal fechar.
Assim que estacionou em frente ao seu prédio, deu de cara com um caminhão de mudança e uma faixa esticada de janela a janela: "Bem-vindo ao lar, meu herói!".
Antes que pudesse engatar a ré, a filha do dono da padaria — aquela do vazamento na cozinha — surgiu do nada com uma chave na mão e um brilho possessivo nos olhos. Ela não estava sozinha; ao lado dela, o pai, o padeiro portuga, segurava um rolo de massa como se fosse um cetro.
— Léo, meu filho! — exclamou o velho. — Já que você salvou a honra da minha menina naquele dia do "conserto da pia", decidimos que você não pode mais viver nesse aperto. Aluguei o apartamento do andar de cima pra vocês!
Léo sentiu o suor frio. A "ajuda" na cozinha tinha virado um noivado por aclamação popular. Mas a confusão ainda não tinha atingido o ápice. Enquanto o padeiro o abraçava, o elevador abriu e de lá saiu a vizinha do desmaio carregando um carrinho de bebê vazio e um teste de farmácia na mão.
— Leonardo! Que bom que voltou! — gritou ela, ignorando a concorrência. — Preciso que você me ajude a montar o berço... afinal, foi nos seus braços que tudo começou a girar, lembra?
Cercado pela "noiva" da padaria, pelo sogro com o rolo de massa e pela vizinha do berço, Léo olhou para o céu cinza do Rio e suspirou. Sua bondade era um ímã que não tirava férias. No meio do bate-boca das mulheres disputando quem ele ajudaria primeiro, Léo fez a única coisa que um cavalheiro carioca faria: deu aquele sorriso de desculpas, pediu licença para "pegar uma ferramenta no carro" e... bom, digamos que ele nunca mais foi visto naquele CEP.
Dizem que, até hoje, se você vir um sujeito alto e bonito correndo pelo Aterro do Flamengo com cara de pânico, pode apostar: é o Léo fugindo de mais uma gentileza.

Siempre se agradece un buen recibimiento, pero algunos no pueden ser bien entendidos.
ResponderExcluirSaludos.
Essa história me
ResponderExcluirlembrou uma outra.
Aquela que o Moço
casou e não ficou...
Lembra dessa?
Será que será compartilhada?
E quanto a essa
publicação, show
a decisão dele.
Tive uma gerente
quando trabalhei nas Lojas Marisa, ela dizia:
"Entre o seu emprego
e o meu, vou sempre
ser o Meu."
É isso.
Bjins
A alegria de pobre dura o tempo de um sinal fechar, sim! Kkkkkk Chorei de rir com o Léo virando o "herói" da padaria e da vizinha ao mesmo tempo. O homem simplesmente vazou pra não virar pai e marido à força. Se o Aterro do Flamengo falasse, né?
ResponderExcluirTexto bom demais, posta mais desses!