LÉO 06/10
O sol ainda não tinha acordado quando Léo pegou a estrada para Nova Friburgo, buscando o frio da serra para ver se congelava aquela saudade que não o deixava em paz. O alvo era Selminha, a única que ele nunca deixara entrar em sua lista de "ciladas". Selminha era diferente; para ela, o "bom dia" de Léo sempre tivera o peso de uma promessa.
Ao chegar, o choque térmico: Selminha estava casada. Ele a viu na Praça do Suspiro, de braço dado com um sujeito sólido, de expressão quadrada — o oposto do magnetismo fácil de Léo. Quando os olhares se cruzaram, o tempo em Friburgo parou. Não houve escândalo, apenas aquele riso de canto de boca que só quem tem um passado mal resolvido consegue decifrar. O ar da serra, que deveria ser puro, ficou carregado de uma eletricidade perigosa.
Nos dias seguintes, a cidade virou um tabuleiro. Encontros "acidentais" na Padaria do Paissandu, trocas de olhares por cima das prateleiras do mercado. O marido, coitado, era a personificação da distração, enquanto Léo e Selminha travavam um diálogo silencioso de desejos represados. Nada tinha acabado; estava apenas em conserva, esperando o momento de ferver.
O encontro final aconteceu no apartamento que o casal estava entregando. Sob o pretexto de Léo ajudar com o peso de um móvel antigo, a clássica presteza do rapaz serviu, enfim, a um propósito nobre. Quando o marido desceu para manobrar o caminhão e a porta se fechou, o silêncio da montanha foi interrompido pela urgência de anos de espera.
Não houve hesitação, nem desculpas. Pela primeira vez, Léo não sentiu que seu jeito era uma armadilha, mas sim o passaporte para o que sempre quis. Ele a deitou numa mesa de madeira que o marido descartaria e, ali, resolveram as pendências que o tempo tentou esconder. Quando Léo desceu a serra de volta para o Rio, não saiu fugido; estava bem calçado, com o passo leve de quem, finalmente, não precisava escapar de nada

É sempre bom
ResponderExcluirpor um ponto final.
Da um sentimento
bom pra vida
seguir em frente .
Bjins
CatiahôAlc.