LÉO 01/10

 



     O Léo tinha aquele tipo de magnetismo que ele próprio não entendia. Sujeito alto, com um sorriso que parecia pedir desculpas por ser tão bonito, carregava uma bondade genuína que desarmava qualquer defesa. O problema era que essa sua "disponibilidade" de espírito era quase sempre lida como convite. As mulheres do bairro — das mais discretas às mais audaciosas — travavam uma verdadeira competição para cercá-lo.
     Para ele, um simples "bom dia" era sinal de educação; para elas, era sinal verde. Por isso, vivia em alerta constante, tentando driblar as armadilhas que brotavam no caminho. Certa vez, no elevador do prédio, uma vizinha impecável simulou um desmaio e desabou em seus braços. Léo a carregou até o apartamento e lá, num milagre de Deus, ela despertou já desabotoando a camisa dele. Em outra ocasião, foi a filha do dono da padaria que pediu ajuda com um vazamento; ao se abaixar sob a pia, ele notou que o figurino dela não incluía sutiã e calcinha.
     Gentil por natureza, Léo acabava se enrolando na própria cortesia. O auge do nó na cabeça ocorria quando a resistência falhava. Bastavam uns drinques, um excesso de charme ou uma insistência que ele não sabia negar sem parecer rude. Nessas horas, o hormônio falava mais alto que o juízo.
     Ele já tinha perdido a conta de quantas vezes o roteiro se repetia: o cheiro de um perfume desconhecido e o peso de lençóis que não eram os seus. Ao abrir os olhos, via a mulher ao lado, radiante, enquanto ele tentava remontar o quebra-cabeça: como, afinal, tinha parado ali? Léo saía dessas casas na ponta dos pés, com os sapatos na mão e a sensação de que sua bondade era, na verdade, sua cilada mais deliciosa.


Comentários

  1. Que legal Silvio
    Gostei muito do texto e do novo blog
    Parabéns
    Bjs muitos
    Uma jarra de bjs coloridos.

    ResponderExcluir
  2. Ficou tudo muito bom, mestre: o blog e o texto, como sempre! E obrigado pela homenagem, viu? Eu tinha esquecido desse tempo em que tinha o apelido de Léo! ;) Abração, bom fim de semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Num é tu não, seu otário! É meu filho, não vê o porte atlécio e a beleza da idade?
      Vou te mandar o contato de um oftalmo muito bom aí, na Bahia, falou?

      Excluir
    2. Tá mais pra teu neto, né não?

      Excluir
    3. Apareceu outra para me sacanear... Unknown, te amo, viu!

      Excluir
    4. Outra, cê sabe quem é, né? ;)

      Excluir
    5. Claro que sei! Dá um beijo nela por mim, dá!

      Excluir
  3. Gostei de te ler,Silvio! Valeu a indicação! abraços, chica

    ResponderExcluir
  4. Opa!
    Espaço novo é sempre
    bom conhecer e acompanhar a jornada
    que começa.
    Sucesso é o que desejo.
    Bjins
    CatiahôAlc.

    ResponderExcluir
  5. Alguém está distorcendo os fatos; que dizer que nós é que somos os "garanhões"?
    Mas tá bonito o blog. Parabéns. Muito, muito bom, mesmo!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Primeiro vc morde, depois assopra, né? Só tu mesmo, garota!

      Excluir
    2. Eu mordo quando precisa e assopro quando eu quero. Diferença básica.

      Excluir
  6. Caso para dizer pouco trabalho e muita produção.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

    ResponderExcluir
  7. Olá, Sílvio!
    Gostei muito do seu texto, sucesso com o novo blog!
    👏
    Agradeço sua visita ao meu espaço e volte sempre!
    Abraços!

    ResponderExcluir
  8. Un gran relato. Pobre Leo, tener que disculparse por ser guapo.
    Saludos.

    ResponderExcluir
  9. Olá! Obrigada por seguir meu blog. Linda história, achei muito interessante

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Seguidores

Postagens mais visitadas deste blog

ELES, O TEMPO E EU

LÉO 02/10